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Publicação em destaque
JOSÉ DA SILVA CARVALHO
FALECEU EM 5 DE SETEMBRO DE 1856, HÁ 160 ANOS - Com a devida vénia do Prof. António Costa Neves - ver notícia fora do destaque abaixo (...
DISPONÍVEL PARA SI TEMOS INFORMAÇÃO: LOCAL, REGIONAL, NACIONAL, DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS NO MUNDO E INTERNACIONAL. ESTEJA ATENTO(A) AO QUE SE PASSA NA SUA TERRA E NO MUNDO.
quinta-feira, 12 de junho de 2014
FERNANDO PESSOA - OBRA POÉTICA
Etiquetas:fotografias
fernando pessoa e sua obra
terça-feira, 22 de abril de 2014
SAÚDE
Para ver descalabro:
http://paradigmatrix.net/?p=7681
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
CARTA DE JOÃO TORDO AO PAI
Carta ao meu filho João
1
Magoaram-te. Não a mim, cinquenta anos de tudo e mais alguma coisa. Magoaram-te porque achas estranho que se diga de um tipo, que para mais conheces bem, o que algumas pessoas disseram e continuarão a dizer. Perante a tua carta que a Eugénia e teu irmão Francisco Maria me encaminharam, o que é fica? Tentação de devolver os insultos com o vernáculo que bem me conheces e és admirador? Não. O que fica, meu querido filho, é a tua carta.
Tenho tanto que fazer, aqui. Por todos vocês. ( grande fotografia que a tua irmã Joana me mandou ) ela e os meus netos, aqueles sorrisos.
Não entristeças, João. Temos dado o melhor de nós e isso não admite gentinha; só aceita dignidade e respeito por vidas que se dedicaram e dedicam não porque têm talento, mas sim porque têm aquele mistério revelado de poderem escrever uma carta como a tua.
Beijo do teu pai fernando.
Read more at http://www.leituras.eu/?p=15423#xTKIL9qqcbguZYBw.99
Carta ao meu filho João
1
Magoaram-te. Não a mim, cinquenta anos de tudo e mais alguma coisa. Magoaram-te porque achas estranho que se diga de um tipo, que para mais conheces bem, o que algumas pessoas disseram e continuarão a dizer. Perante a tua carta que a Eugénia e teu irmão Francisco Maria me encaminharam, o que é fica? Tentação de devolver os insultos com o vernáculo que bem me conheces e és admirador? Não. O que fica, meu querido filho, é a tua carta.
Tenho tanto que fazer, aqui. Por todos vocês. ( grande fotografia que a tua irmã Joana me mandou ) ela e os meus netos, aqueles sorrisos.
Não entristeças, João. Temos dado o melhor de nós e isso não admite gentinha; só aceita dignidade e respeito por vidas que se dedicaram e dedicam não porque têm talento, mas sim porque têm aquele mistério revelado de poderem escrever uma carta como a tua.
Beijo do teu pai fernando.
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Carta ao meu filho João
1
Magoaram-te. Não a mim, cinquenta anos de tudo e mais alguma coisa. Magoaram-te porque achas estranho que se diga de um tipo, que para mais conheces bem, o que algumas pessoas disseram e continuarão a dizer. Perante a tua carta que a Eugénia e teu irmão Francisco Maria me encaminharam, o que é fica? Tentação de devolver os insultos com o vernáculo que bem me conheces e és admirador? Não. O que fica, meu querido filho, é a tua carta.
Tenho tanto que fazer, aqui. Por todos vocês. ( grande fotografia que a tua irmã Joana me mandou ) ela e os meus netos, aqueles sorrisos.
Não entristeças, João. Temos dado o melhor de nós e isso não admite gentinha; só aceita dignidade e respeito por vidas que se dedicaram e dedicam não porque têm talento, mas sim porque têm aquele mistério revelado de poderem escrever uma carta como a tua.
Beijo do teu pai fernando.
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Adeus, tristeza
Qui, 20/02/2014 - 10:41 - Raquel Gonçalves
Aos 65 anos, fez as malas e deixou Portugal e, para nosso desespero, já não há ninguém que cante esta nova tristeza que se abateu sobre nós, nem ninguém que ironize uma tourada, nem que combata "ombro a ombro as feras" que nos abocanham a esperança. Agora todos "nos levam ao engano" e, pior do que isso, nós deixamos, num silêncio cúmplice.
Não estamos na "Praça da Primavera", não temos ânimo para "pegar o mundo pelos cornos da desgraça", nem sabemos fazer "da tristeza graça". Só temos uma certeza: "acabaram-se as canções".
O filho, o escritor João Tordo , escreveu uma carta de despedida ao pai, onde traça um lúcido e doloroso retrato de um país que não quer mudar, de um país que quer esta miséria. E, de facto, somos um país que já não canta adeus à tristeza, mas que a cultiva, que a acolhe como coisa sua.
Eu sou deste país, mas estou triste. Triste pelo Fernando Tordo, triste pelo meu pai que o ouvia e eu com ele aprendia a poesia de Ary dos Santos. O meu pai, que já só existe em mim, mas que me ensinou a sentir, a ouvir as palavras e a música em longas tardes na companhia das vozes de Carlos do Carmo e Fernando Tordo. O meu pai que me ensinou a não ser indiferente.
Infelizmente, para todos nós, o futuro de Fernando Tordo "foi aquilo que se viu" e o nosso é aquilo que se vê. E o que se vê é tão pouco, tão triste, tão isto que nos embala já sem música, tão isto que nos traz já tão cansados, tão isto que já pouco resta. Bom dia, Tristeza!
Magoaram-te. Não a mim, cinquenta anos de tudo e mais alguma coisa. Magoaram-te porque achas estranho que se diga de um tipo, que para mais conheces bem, o que algumas pessoas disseram e continuarão a dizer. Perante a tua carta que a Eugénia e teu irmão Francisco Maria me encaminharam, o que é fica? Tentação de devolver os insultos com o vernáculo que bem me conheces e és admirador? Não. O que fica, meu querido filho, é a tua carta. Tenho tanto que fazer, aqui. Por todos vocês. ( grande fotografia que a tua irmã Joana me mandou ) ela e os meus netos, aqueles sorrisos. Não entristeças, João. Temos dado o melhor de nós e isso não admite gentinha; só aceita dignidade e respeito por vidas que se dedicaram e dedicam não porque têm talento, mas sim porque têm aquele mistério revelado de poderem escrever uma carta como a tua. Beijo do teu pai fernando. - See more at: http://www.leituras.eu/?p=15423&fb_action_ids=10201690095636679&fb_action_types=og.likes&fb_source=other_multiline&action_object_map=%5B221770831347681%5D&action_type_map=%5B%22og.likes%22%5D&action_ref_map=%5B%5D#sthash.V6h6vtCQ.dpuf
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Magoaram-te. Não a mim, cinquenta anos de tudo e mais alguma coisa. Magoaram-te porque achas estranho que se diga de um tipo, que para mais conheces bem, o que algumas pessoas disseram e continuarão a dizer. Perante a tua carta que a Eugénia e teu irmão Francisco Maria me encaminharam, o que é fica? Tentação de devolver os insultos com o vernáculo que bem me conheces e és admirador? Não. O que fica, meu querido filho, é a tua carta. Tenho tanto que fazer, aqui. Por todos vocês. ( grande fotografia que a tua irmã Joana me mandou ) ela e os meus netos, aqueles sorrisos. Não entristeças, João. Temos dado o melhor de nós e isso não admite gentinha; só aceita dignidade e respeito por vidas que se dedicaram e dedicam não porque têm talento, mas sim porque têm aquele mistério revelado de poderem escrever uma carta como a tua. Beijo do teu pai fernando. - See more at: http://www.leituras.eu/?p=15423&fb_action_ids=10201690095636679&fb_action_types=og.likes&fb_source=other_multiline&action_object_map=%5B221770831347681%5D&action_type_map=%5B%22og.likes%22%5D&action_ref_map=%5B%5D#sthash.V6h6vtCQ.dpuf
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domingo, 22 de dezembro de 2013
JOSÉ PACHECO PEREIRA
OPINIÃO
Com a devida vénia do Publico
Ver link IN http://www.publico.pt/politica/noticia/o-ps-nao-e-confiavel-como-partido-da-oposicao-1617027
"O PS não é confiável como partido da oposição
O Governo, o PSD e o CDS, e todos os apoiantes do “ajustamento” na versãotroika-Gaspar-Passos, obtiveram uma importante vitória política ao levarem o PS a assinar um acordo a pretexto do IRC. Foi um dia grande. “Rejubilai”, dizem os anjos do “ajustamento”. Dizem bem.
Nesse mesmo dia, os professores contratados foram abandonados pelo PS, que apenas pediu uma pífia “suspensão” da prova, e os trabalhadores dos Estaleiros de Viana, que marcharam pelas ruas de Lisboa com as suas famílias, a caminho da miséria, não merecem nem um levantar de sobrancelhas dos doutos conselheiros económicos do “líder” Seguro. O PS, que tinha já enormes responsabilidades na situação actual de ambos os sectores profissionais, agora mostrou de novo por que razão não é confiável como partido de oposição, mas, pelo contrário, é confiável, pela mão de Seguro, para lá de muitas encenações, para os que mandam em Portugal, sempre os mesmos.
É que o acordo sobre o IRC não é sobre o IRC. O IRC, repito, foi o pretexto. Aliás, a pergunta mais simples a fazer, a óbvia, aquela que a comunicação social, se não estivesse subjugada à agenda e aos termos dessa agenda do poder político dominante, faria é esta: por que razão é que um acordo deste tipo não veio da Concertação Social, mas de conversações entre os dois partidos? Por que razão é que o Governo nunca esteve disposto a fazer este tipo de cedências diante da CCP ou da UGT, já para não dizer da CIP e da CGTP, mas está disposto a fazê-lo com o PS? Ou, dito de outra maneira, que vantagem tem o Governo em fazer este acordo com um partido da oposição e não com os parceiros sociais? Ou ainda melhor: o que é que o PSD e o CDS obtiveram do PS que justificou este remendo, aliás, pequeno e de pouca consequência, na sua política? É que, convém lembrar, o Governo não precisava do voto do PS para passar esta legislação, e é por isso que o único ganho de causa é o do Governo.
O acordo foi um acordo político de fundo que amarra o PS a sistemáticas pressões governamentais e outras, para que passe a ser parte do “consenso” que legitime a actual política. O que está em causa é algo que seria, se as classificações ideológicas tivessem alguma correspondência com a realidade, inaceitável por um partido socialista, como o é para um social-democrata, moderado que seja. O sentido de fundo do “ajustamento” está muito para além do resolver os problemas mais imediatos do défice ou da dívida, mas traduz-se numa significativa alteração das relações sociais a favor dos senhores da economia financeira, em detrimento daquilo que a maioria da população, classe média e trabalhadores, remediados e pobres, tinham conseguido nos últimos 40 anos.
O que marcará com um rastro profundo Portugal para muitos anos é acima de tudo essa transferência de poder, recursos e riqueza na sociedade. Ela faz-se pela mudança de fundo no terreno laboral, com a aquiescência do PS – recorde-se que aceitou sem críticas o acordo assinado pela UGT –, com a fragilização das relações entre trabalhadores, o elo mais fraco, e o patronato, o esmagamento da classe média pelo assalto à função pública, aos salários, reformas e pensões. A destruição unilateral dos “direitos adquiridos” destinou-se não apenas a garantir essa enorme transferência de recursos, mas acima de tudo a enfraquecer o poder social dos trabalhadores, dos funcionários públicos, dos detentores de direitos sociais.
No passado podia haver pobres, estes tinham, porém, a possibilidade de ter uma dinâmica social e política para saírem da pobreza, uma capacidade de inverterem as relações sociais que lhes eram desfavoráveis. Eram pobres, mas não estavam condenados à pobreza. Era isso a que se chamava “a melhoria social”, num contexto de mobilidade e num contrato social que permitia haver adquiridos. Agora tudo isso aparece como um esbanjamento inaceitável, e o que hoje se pretende é que os pobres, cada vez mais engrossados pela antiga classe média, sejam condenados à sua condição de pobreza em nome de uma crítica moral ao facto de “viverem acima das suas posses”, perdendo ou tornando inútil os instrumentos que tinham para a sua ascensão social, a começar pela educação, pela casa própria, e a acabar nas manifestações e protestos cívicos, as greves e outras formas de resistência social. É um conflito de poder social que atravessa toda a sociedade e que se trava também nas ideias e nas palavras, em que a comunicação social é um palco determinante, com a manipulação das notícias, a substituição da informação pelo marketing e pela propaganda. E o PS escolheu estar ao lado dos “ajustadores”.
Pode-se argumentar que a “cedência” do PS permitiu algum alívio às pequenas e médias empresas, e que por isso há um ganho de causa. Talvez, e isso seria bom, se fosse apenas isso. Mas o que o PS cedeu é muito mais do que isso: é um contributo decisivo para manter a actual política em tudo o que é fundamental, a começar pela prioridade do alívio às empresas e aos negócios em detrimento das pessoas e do consumo. O PS enfileirou no núcleo duro do discurso governamental, mais sensível às empresas do que às pessoas, aceitando que, a haver abaixamento dos impostos, ele deve começar pelas empresas e não pelos indivíduos e as famílias, pelo IRC e não pelo IRS e pelo IVA.
Eu conheço a lengalenga de que os benefícios às empresas, à “economia”, são a melhor maneira de beneficiar as pessoas, e que é a “vitalidade” da economia que pode permitir todos saírem da crise. Em abstracto, poderia ser assim, no nosso concreto, não é. Chamo-lhe "lengalenga" porque no actual contexto a inversão muito significativa dos poderes sociais torna muito desigual a distribuição de benesses oriundas deste tipo de medidas, reforça os mais fortes como um rio caudaloso e chega tardiamente e sem mudar nada, como um fio de água, aos que mais precisam. E a outra verdade que tem que ser dita é que este tipo de acordo no IRC vai tornar mais difícil que haja uma diminuição significativa do IRS ou do IVA, ou seja, quem vai pagar os benefícios a algumas empresas são outras empresas mais em risco e as pessoas e as famílias.
Numa altura em que a campanha eleitoral para as europeias e a, mais distante, das legislativas são já um elemento central das preocupações partidárias do PSD e do CDS, o PS deu-lhes um importante trunfo político, e um sinal de que não confia nas suas próprias forças para ganhar as eleições e muito menos governar sozinho. Um acordo PS-PSD feito pela fraqueza e assente na continuidade da política actual prenuncia apenas que, seja o PS, seja o PSD, a governarem em 2015, cada um procurará no outro um seu aliado natural, não para uma política de reformas, mas para garantir a política que interessa ao sector financeiro, que capturou de há muito a decisão política em Portugal.
O PS de Seguro mostrou que não é confiável como partido da oposição e que ou não percebe o sentido de fundo da actual política de “ajustamento”, de que este abaixamento do IRC é um mero epifenómeno, ou, pelo contrário, percebe bem de mais e quer ser parte dela. Inclino-me, há muito, para a segunda versão. Seguro e os seus criaditos diligentes estão ali para servirem as refeições aos que mandam, convencidos que as librés que vestem são fardas de gala num palanque imaginário. Vão ter muitas palmas e responder com muitos salamaleques.
Estamos assim."
sábado, 21 de dezembro de 2013
ALERGIAS
UM PROBLEMA QUE AFECTA MUITA GENTE! PARA MINIMIZAR A SITUAÇÃO FOI CRIADA
A ALIMENTA, Associação Portuguesa de Alergias e Intolerâncias Alimentares.
Que em caso de interesse podem consultar em:
http://www.alimenta.pt/alergias-e-intolerancias/ OU
https://www.facebook.com/Alimenta.pt
A ALIMENTA, Associação Portuguesa de Alergias e Intolerâncias Alimentares.
Que em caso de interesse podem consultar em:
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alergias
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
FELIZ NATAL E UM ANO 2014 MELHOR QUE AQUELE QUE ESTÁ PRESTES A ACABAR!
Deseja o Blog São João de Areias a todos os bloguistas que nos seguem bem assim a toda a população Portuguesa, quer nos sigam ou não...
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feliz natal
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
FEIRA DE SÃO JOÃO DE AREIAS
A escolha de candidatos concorrentes a gerir os interesses do País, na nossa perspectiva deve, sempre, recair em pessoas com o maior conhecimento dos locais para os quais estão a concorrer. Esta é a regra que tem razão de ser! Não faz sentido algum, um alentejano candidatar-se a um lugar político em Trás-os-Montes, para representar os destinos de terras e gentes que não conhece... São "arranjinhos" que contrariam o fazer política séria: tratar do que se conhece, ficando ligado às decisões, boas e más.
Agora aqui estamos a tratar uma questão diferente: Representantes locais.
Quando atrás demos ênfase a todos os candidatos, agora, com mais força, dizemos que os candidatos a gerir os destinos autárquicos, tem que ser sempre, "recrutados" nos locais de origem. Daí entendermos saírem sempre de um leque dos bons, optando-se pelos melhores! Aprendemos que para concorrer a eleições locais não interessa a cor da camisola com que vão concorrer, interessa antes fazer uma análise aos candidatos de onde vem e para onde vão. Por outras palavras conhecer o seu "background", conhecimentos, determinação e objectivos a bem dos povos que vão representar e não servirem-se, como em muitas situações acontece a procura do "tacho". Lembro sempre com saudade um homem de H grande, um Amigo que nos deixou em tempos idos: António Rodrigues Miranda de nome, na lapela concorreu com emblema que nunca me disse nada, porém, não deixou de ser um dos melhores gestores dos destinos de São João de Areias. Esta é uma posição que nos leva a acreditar em pessoas e não em emblemas ou cores, como queiram.
Foi eleito o Sr. Serafim Rodrigues, pelo PSD, mas se o fosse por outra cor, com certeza teria os mesmos créditos. Recordo que a freguesia de São João de Areias tem vivido num estado de incubadora (hibernação) e com a eleição do Sr. Serafim deu-se um abanão no adormecimento dos destinos da Junta começando com alterações na maneira desorganizada como funcionava a Feira de São João de Areias. Verificámos no local, que, do ordenamento, que continua a ser beneficiado, as estradas circundantes já funcionam nos dias do evento, os vizinhos são menos afectados. Salientamos que a primeira feira realizada já com alterações teve um considerável aumento de amigos da feira e outros interessados, foi um SUCESSO!
Desejamos continuidade neste e noutros sectores da Junta de Freguesia de São João de Areias. Fica aqui o nosso apelo aos eleitos para manterem a humildade que aparentam, ouvindo as suas gentes ao porem questões de interesse comum e que tenham razão de ser.
Parabéns à Junta de Freguesia de São João de Areias, na pessoa do Sr. Serafim Rodrigues com o desejo de um bom mandato.
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junta de sao joao de areias
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
"OS VELHOS: NÃO É POSSÍVEL EXTREMINÁ-LOS"? JOSÉ PACHECO PEREIRA
Com a devida vénia do Público IN
"Opinião
Os velhos: não é possível exterminá-los?
Na verdade, estou farto de exibições de confrangimento público e exercícios de “preocupação social”
.
"
Eu gostaria muito de escrever artigos racionais, ponderados, que merecessem uma aura académica e sensata, que unissem em vez de dividir, que me permitissem ter a minha quota de lugares, prémios e prebendas, mas estou condenado, nestes tempos, a escrever cada vez mais panfletos. Acontece. Isto do imperativo categórico, como Kant sabia, é uma maçada.
Mas, mesmo que desapareçam como as figuras menores que realmente são, vão deixar estragos muito profundos no tecido já de si muito frágil da nossa vida colectiva, cavando fundo divisões e conflitos, destruindo o pouco de humanidade social que algum bem-estar tinha permitido. Eles estão, como as tropas romanas, a fazer no seu Cartago, infelizmente no nosso Portugal, o terreno salgado e estéril. Pode-se-lhes perdoar tudo, os erros de política, a incompetência, o amiguismo, uma parte da corrupção dos grandes e dos médios, menos isto, este salgar da terra que pisamos, apenas para obter uns ganhos pequeninos no presente e com o custo de enormes estragos no futuro.
Um exemplo avulta nos últimos dias, que já vem de trás, mas que ganha uma nova dimensão: o ataque aos velhos por serem velhos, uma irritação com o facto de haver tanta gente que permanece como um ónus para o erário público apesar de já não ser “produtiva”, de não ter saída no “mercado do trabalho”, de estar “gasta”. De ministros que não leram Camões e nem sequer sabem quem são os “velhos do Restelo”, a gente que pulula nesse novo contínuo dos partidos e do Estado que são os blogues, a umas agências de comunicação que são as Tecnoforma dos dias de hoje, boys e empregados de todos os poderes para fazerem na Internet e nos jornais o sale boulot, todos, de uma maneira ou de outra, atacam os velhos, por serem velhos. Numa sociedade envelhecida, isso significa atacar a maioria dos portugueses, em nome de uma ideia de juventude “empreendedora”, capaz de fazer uma empresa do nada só com “ideias”, “inovação” e design, sem os vícios do “passado”, capaz de singrar na vida sem “direitos adquiridos”, nem solidariedade social, imagem que tem o pequeno problema de ser tão mitológica como a Fada dos Dentinhos.
Grande parte do ataque a Mário Soares e a muitos que estiveram na Aula Magna foi feito em nome de eles serem “velhos”, logo senis. Nem sequer é por implicação, é dito com clareza, com o mesmo tipo de “argumentos” com que os soviéticos enviavam os dissidentes para os asilos psiquiátricos porque quem estivesse no uso normal das suas faculdades não podia deixar de ser comunista. Aqui é o mesmo: só pode ser senil quem duvidar da bondade das medidas do Governo, apresentadas como sendo a realidade pura, inescapável, inevitável. Como pode estar bom da cabeça quem coloca em causa a versão em “economês” da lei da gravidade? Só um louco. E se for velho, é-se senil, ultrapassado, antiquado, mesquinho, por definição. Não há outra maneira de explicar que haja velhos com tantas ideias “erradas” sobre a bondade do nosso “ajustamento” e que sejam empecilhos para os “jovens” brilhantes que o aplicam com vigor e sem vergonha.
Muito do discurso contra os velhos, que começa, em bom rigor, cada vez mais cedo, quando se perde o emprego e se fica “gasto” para o mercado de trabalho, é um discurso que pretende ser utilitário no plano político, e é isso que o torna moralmente desprezível. Destina-se a justificar o violento ataque a reformas e pensões, a gente que trabalhou a vida toda, e que ainda tem memória do que custou obter esses malfadados “direitos”, resultado de “contratos” de “confiança” com o estado, tudo coisas de velhos que estão a “roubar” aos mais novos do seu futuro. Estão a mais. E se eles não percebem que estão a mais a gente vai mostrar-lhes pelo vilipêndio e pelo saque que já há muito deveriam ter desaparecido.
Muita coisa tem hoje a ver com esta demonização da idade. Um caso entre muitos, é o que se está a passar com o despedimento colectivo dos trabalhadores dos Estaleiros de Viana do Castelo. Nem sequer discuto se a empresa tinha que encerrar ou não, porque a partir de um certo nível de dolo e degradação da linguagem esse não é o primeiro problema. Podia ser, mas com esta gente não é, porque, ao fazerem as coisas como fazem, sempre obcecados em enganar-nos, merecem que contra eles se volte tudo, o discurso empolgado dos “navegadores” e a retórica do “mar”, ao mesmo tempo que se fecha o único estaleiro que sobrava, a disparidade de não querer pagar 180 milhões de euros, enquanto se aumenta a taxa para a RTP, que recebe todos os anos muito mais do que isso, a displicência com que se apresenta como grande vitória, mais de 600 despedimentos.
Acresce a soma de mentiras habituais: que 400 trabalhadores vão ser reintegrados (afinal não há nenhuma garantia), que vão ser pagas as devidas indemnizações (afinal parece que só a parte deles), que vai continuar a construção naval (quando não custa perceber que o que a Martifer vai fazer não são navios). O que vai acontecer é um enorme despedimento colectivo feito pelo Estado, o encerramento dos estaleiros à construção naval, o preço de saldo para a Martifer após o Estado, como no BPN, pagar todos os custos. E, na vaguíssima hipótese de alguns trabalhadores serem empregados na nova empresa, serão sempre poucos, com salários mais baixos, com uma folha de antiguidade a zero, e ficarão de fora os mais velhos e os mais reivindicativos. Alguém vai contratar um membro da comissão de trabalhadores, mesmo que seja um excelente soldador? Como muita da mão-de-obra dos estaleiros já tem uma certa idade – os velhos começam a ser velhos aos quarenta –, está-se mesmo a ver a sua “empregabilidade”.
Não custa fazer o discurso politicamente correcto de que a “esquerda não tem o monopólio da sensibilidade social” (e não tem), nem dizer aqueles rodriguinhos do costume do género “que bem sabemos como os portugueses estão a sofrer”, ou que “nenhum Governo gosta de tomar estas medidas”, ou elogiar os portugueses pelo seu papel “decisivo” no sucesso da aplicação do “ajustamento”, etc., etc. Na verdade, estou farto de exibições de confrangimento público e exercícios de “preocupação social”, já não posso ver a hipocrisia de Passos Coelho e de Aguiar Branco, ao lado do exibicionismo pavoneado dos soundbites de Portas.
Swift escreveu em 1729 uma sátira sobre a pobreza na Irlanda chamada Uma modesta proposta para evitar que as crianças dos pobres irlandeses sejam um fardo para os seus pais e o seu país e para as tornar um benefício público. Aconselhava os pobres a comerem os filhos, como meio de combater a fome, “grelhados, fritos, cozidos, guisados ou fervidos”. Na verdade, quando se assiste a este ataque à condição de se ser mais velho – um aborrecimento porque exige pagar reformas e pensões, faz uma pressão indevida sobre o sistema nacional de saúde, e, ainda por cima, protestam e são irreverentes –, podia avançar-se para uma solução mais simples. Para além de os insultar, de lhes retirar rendimentos, de lhes dificultar tudo, desde a obrigação de andar de repartição em repartição em filas para obter papéis que lhes permitam evitar pagar rendas de casa exorbitantes, até ao preço dos medicamentos, para além de lhes estarem a dizer todos os dias que ocupam um espaço indevido nesta sociedade, impedindo os mais jovens de singrarem na maravilhosa economia dos “empreendedores” e da “inovação”, será que não seria possível ir um pouco mais longe e “ajustá-los”, ou seja, exterminá-los?
Historiador"
.
"
Eu gostaria muito de escrever artigos racionais, ponderados, que merecessem uma aura académica e sensata, que unissem em vez de dividir, que me permitissem ter a minha quota de lugares, prémios e prebendas, mas estou condenado, nestes tempos, a escrever cada vez mais panfletos. Acontece. Isto do imperativo categórico, como Kant sabia, é uma maçada.
Isso deve-se ao facto de não querer ter nenhuma falinha mansa, daquelas que enchem o balofo da nossa política de mútuos cumprimentos e salamaleques, com gente que se mostra impiedosa por indiferença, hostil com os fracos que estão do lado errado da “economia”, subserviente com os fortes, capaz de usar todos os argumentos para dividir, se daí vier alguma pequena folga para as suas costas.
Tenho dito e vou repetir: a herança que estes dois anos de “Governo” Passos Coelho-Portas-troika vai deixar ultrapassará muito o seu tempo de vida como governantes. Se não for antes, em 2015, passarão à história como um epifenómeno dos tempos da crise e sobreviverão incrustados nos partidos de onde lhes vem o poder, como um fungo que não se consegue limpar. Vão continuar a estragar muita coisa, mas a própria lógica de onde vieram os substituirá por outros mais ou menos maus. A maldição portuguesa é esta. Aquilo que mais precisamos, não temos.Mas, mesmo que desapareçam como as figuras menores que realmente são, vão deixar estragos muito profundos no tecido já de si muito frágil da nossa vida colectiva, cavando fundo divisões e conflitos, destruindo o pouco de humanidade social que algum bem-estar tinha permitido. Eles estão, como as tropas romanas, a fazer no seu Cartago, infelizmente no nosso Portugal, o terreno salgado e estéril. Pode-se-lhes perdoar tudo, os erros de política, a incompetência, o amiguismo, uma parte da corrupção dos grandes e dos médios, menos isto, este salgar da terra que pisamos, apenas para obter uns ganhos pequeninos no presente e com o custo de enormes estragos no futuro.
Um exemplo avulta nos últimos dias, que já vem de trás, mas que ganha uma nova dimensão: o ataque aos velhos por serem velhos, uma irritação com o facto de haver tanta gente que permanece como um ónus para o erário público apesar de já não ser “produtiva”, de não ter saída no “mercado do trabalho”, de estar “gasta”. De ministros que não leram Camões e nem sequer sabem quem são os “velhos do Restelo”, a gente que pulula nesse novo contínuo dos partidos e do Estado que são os blogues, a umas agências de comunicação que são as Tecnoforma dos dias de hoje, boys e empregados de todos os poderes para fazerem na Internet e nos jornais o sale boulot, todos, de uma maneira ou de outra, atacam os velhos, por serem velhos. Numa sociedade envelhecida, isso significa atacar a maioria dos portugueses, em nome de uma ideia de juventude “empreendedora”, capaz de fazer uma empresa do nada só com “ideias”, “inovação” e design, sem os vícios do “passado”, capaz de singrar na vida sem “direitos adquiridos”, nem solidariedade social, imagem que tem o pequeno problema de ser tão mitológica como a Fada dos Dentinhos.
Grande parte do ataque a Mário Soares e a muitos que estiveram na Aula Magna foi feito em nome de eles serem “velhos”, logo senis. Nem sequer é por implicação, é dito com clareza, com o mesmo tipo de “argumentos” com que os soviéticos enviavam os dissidentes para os asilos psiquiátricos porque quem estivesse no uso normal das suas faculdades não podia deixar de ser comunista. Aqui é o mesmo: só pode ser senil quem duvidar da bondade das medidas do Governo, apresentadas como sendo a realidade pura, inescapável, inevitável. Como pode estar bom da cabeça quem coloca em causa a versão em “economês” da lei da gravidade? Só um louco. E se for velho, é-se senil, ultrapassado, antiquado, mesquinho, por definição. Não há outra maneira de explicar que haja velhos com tantas ideias “erradas” sobre a bondade do nosso “ajustamento” e que sejam empecilhos para os “jovens” brilhantes que o aplicam com vigor e sem vergonha.
Muito do discurso contra os velhos, que começa, em bom rigor, cada vez mais cedo, quando se perde o emprego e se fica “gasto” para o mercado de trabalho, é um discurso que pretende ser utilitário no plano político, e é isso que o torna moralmente desprezível. Destina-se a justificar o violento ataque a reformas e pensões, a gente que trabalhou a vida toda, e que ainda tem memória do que custou obter esses malfadados “direitos”, resultado de “contratos” de “confiança” com o estado, tudo coisas de velhos que estão a “roubar” aos mais novos do seu futuro. Estão a mais. E se eles não percebem que estão a mais a gente vai mostrar-lhes pelo vilipêndio e pelo saque que já há muito deveriam ter desaparecido.
Muita coisa tem hoje a ver com esta demonização da idade. Um caso entre muitos, é o que se está a passar com o despedimento colectivo dos trabalhadores dos Estaleiros de Viana do Castelo. Nem sequer discuto se a empresa tinha que encerrar ou não, porque a partir de um certo nível de dolo e degradação da linguagem esse não é o primeiro problema. Podia ser, mas com esta gente não é, porque, ao fazerem as coisas como fazem, sempre obcecados em enganar-nos, merecem que contra eles se volte tudo, o discurso empolgado dos “navegadores” e a retórica do “mar”, ao mesmo tempo que se fecha o único estaleiro que sobrava, a disparidade de não querer pagar 180 milhões de euros, enquanto se aumenta a taxa para a RTP, que recebe todos os anos muito mais do que isso, a displicência com que se apresenta como grande vitória, mais de 600 despedimentos.
Acresce a soma de mentiras habituais: que 400 trabalhadores vão ser reintegrados (afinal não há nenhuma garantia), que vão ser pagas as devidas indemnizações (afinal parece que só a parte deles), que vai continuar a construção naval (quando não custa perceber que o que a Martifer vai fazer não são navios). O que vai acontecer é um enorme despedimento colectivo feito pelo Estado, o encerramento dos estaleiros à construção naval, o preço de saldo para a Martifer após o Estado, como no BPN, pagar todos os custos. E, na vaguíssima hipótese de alguns trabalhadores serem empregados na nova empresa, serão sempre poucos, com salários mais baixos, com uma folha de antiguidade a zero, e ficarão de fora os mais velhos e os mais reivindicativos. Alguém vai contratar um membro da comissão de trabalhadores, mesmo que seja um excelente soldador? Como muita da mão-de-obra dos estaleiros já tem uma certa idade – os velhos começam a ser velhos aos quarenta –, está-se mesmo a ver a sua “empregabilidade”.
Não custa fazer o discurso politicamente correcto de que a “esquerda não tem o monopólio da sensibilidade social” (e não tem), nem dizer aqueles rodriguinhos do costume do género “que bem sabemos como os portugueses estão a sofrer”, ou que “nenhum Governo gosta de tomar estas medidas”, ou elogiar os portugueses pelo seu papel “decisivo” no sucesso da aplicação do “ajustamento”, etc., etc. Na verdade, estou farto de exibições de confrangimento público e exercícios de “preocupação social”, já não posso ver a hipocrisia de Passos Coelho e de Aguiar Branco, ao lado do exibicionismo pavoneado dos soundbites de Portas.
Swift escreveu em 1729 uma sátira sobre a pobreza na Irlanda chamada Uma modesta proposta para evitar que as crianças dos pobres irlandeses sejam um fardo para os seus pais e o seu país e para as tornar um benefício público. Aconselhava os pobres a comerem os filhos, como meio de combater a fome, “grelhados, fritos, cozidos, guisados ou fervidos”. Na verdade, quando se assiste a este ataque à condição de se ser mais velho – um aborrecimento porque exige pagar reformas e pensões, faz uma pressão indevida sobre o sistema nacional de saúde, e, ainda por cima, protestam e são irreverentes –, podia avançar-se para uma solução mais simples. Para além de os insultar, de lhes retirar rendimentos, de lhes dificultar tudo, desde a obrigação de andar de repartição em repartição em filas para obter papéis que lhes permitam evitar pagar rendas de casa exorbitantes, até ao preço dos medicamentos, para além de lhes estarem a dizer todos os dias que ocupam um espaço indevido nesta sociedade, impedindo os mais jovens de singrarem na maravilhosa economia dos “empreendedores” e da “inovação”, será que não seria possível ir um pouco mais longe e “ajustá-los”, ou seja, exterminá-los?
Historiador"
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Jose Pacheco pereira - opiniao
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
NOVO PARTIDO EM PORTUGAL ?
CANSADOS DE OBSERVAREM A TOMADA DE MÁS DECISÕES PELOS NOSSOS REPRESENTANTES, ALGUNS PORTUGUESES ESTÃO A ORGANIZAR UM MOVIMENTO PARA CRIAR UM NOVO PARTIDO NO INTERESSE DO PAÍS, ANA BENAVENTE TUDO INDICA SERÁ UM DOS ELEMENTOS A DIZER PRESENTE.
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http://www.ionline.pt/artigos/portugal/ana-benavente-admite-sair-ps-entrar-no-livre
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http://www.ionline.pt/artigos/portugal/ana-benavente-admite-sair-ps-entrar-no-livre
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novo partido em portugal
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
O USO DO MICRO-ONDAS - "MALEFICIOS"
Com a devida vénia de Portugal Mundial:
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http://portugalmundial.com/2013/10/o-que-acontece-ao-consumir-alimentos-processados-em-micro-ondas/
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saúde
terça-feira, 5 de novembro de 2013
GUERRA ENTRE O CES E O GOVERNO
Com a devida vénia de GOTA DE ÁGUA:
"Guerra" entre o CES e o Governo ... já só o governo é que sabe!!!
Ver link IN http://gotadeagua53.blogspot.pt/
"Guerra" entre o CES e o Governo ... já só o governo é que sabe!!!
Síntese - O presidente do Conselho Económico e Social, Silva Peneda, (ex.ministro PSD) insistiu ontem na necessidade de reduzir os níveis de austeridade e o esforço de ajustamento (Correio da Manhã, Oje) ... Para o Governo, o parecer do CES sobre o Orçamento do Estado para 2014 apresenta "diversas incoerências", chegando mesmo a falar de "absoluto irrealismo" no que toca à questão dos cortes no Estado. (Público) Pois, estamos todos a ver mal, já só o governo consegue ver bem!!!
"CES insiste na redução da austeridade
O presidente do Conselho Económico e Social, Silva Peneda, insistiu ontem na necessidade de reduzir os níveis de austeridade e o esforço de ajustamento, de forma a conjugar a consolidação orçamental com o crescimento da economia. O responsável falava aos jornalistas no final da aprovação, com as abstenções da CGTP e do Governo, do parecer sobre o Orçamento do Estado para 2014. (Correio da Manhã, Oje)
Governo acusa parecer do CES de ser irrealista
O Executivo diz que o parecer do Conselho Económico e Social sobre o Orçamento para 2014 evidencia um "absoluto irrealismo". Para o Governo, o parecer do CES sobre o Orçamento do Estado para 2014 apresenta "diversas incoerências", chegando mesmo a falar de "absoluto irrealismo" no que toca à questão dos cortes no Estado. (Público)"
Ver link IN http://gotadeagua53.blogspot.pt/
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política
JOSÉ SÓCRATES - OPINIÃO
Com a devida vénia do GOTA DE ÁGUA:
"Daniel Oliveira - "O ódio a Sócrates"
"Daniel Oliveira - "O ódio a Sócrates"
Quando comecei a minha coluna semanal no EXPRESSO, ainda Santana Lopes era primeiro-ministro e Sócrates o queria ser, o meu primeiro texto tinha como título "A coisa". Era sobre José Sócrates e o seu vazio ideológico e programático. Uma acusação, à altura, mais do que justa. Ao contrário de outros ex-primeiro-ministros, Sócrates fez-se ideologicamente no poder. Com várias guinadas ao longo de seis anos. Não apenas guinadas tácticas, bastante comuns em muitos políticos. Mas guinadas sinceras de quem estava a aprender o mundo enquanto governava.
Durante seis anos fiz-lhe oposição. E não me arrependo. Também o apoiei em várias medidas, como é evidente. Mas, acima de tudo, tratei sempre com cuidado os casos menos políticos em que o seu nome foi sendo envolvido. Na realidade, o mesmíssimo cuidado que tenho com todos os casos que surgiram com pessoas deste governo: não os deixo de tratar, exponho os factos conhecidos e retiro conclusões políticas. Com Sócrates, nuns casos fiquei esclarecido, noutros mantenho dúvidas. Numa análise a todas as acusações que lhe tinham sido feitas conclui, em fevereiro de 2010: "No meio desta histeria, que torna o debate político insuportável - é já quase sinal de cedência escrever sobre qualquer outro assunto que não seja José Sócrates -, a falta de rigor e de apego à verdade de que o primeiro-ministro é acusado parece ter tomado conta do país inteiro. Interessa saber se José Sócrates fez o que se diz que ele fez. Mas, se não levarem a mal, a verdade dos factos pode, de vez enquanto, ter voto na matéria."
Sobre esses casos, podem ler texto que aqui refiro. Chega e sobra. Não é com eles que quero perder tempo.
É normal que se investiguem primeiros-ministros e dificilmente me veem a comprar teses de cabalas e campanhas negras. Mas ninguém negará que nunca, sobre um governante, saíram tantas notícias de pequenos casos de forma tão insistente. Sobretudo não me lembro de terem sobrevivido tanto tempo a qualquer esclarecimento, bom ou mau. Compare-se o caso do Freeport - que durou anos - com o da Tecnoforma, que passou desapercebido a quase todos os portugueses. Acho que posso dizer com rigor, sem ter de tomar partido, que nunca um primeiro-ministro em Portugal foi tão atacado como José Sócrates. Nada escapou: da sua vida intima ao património da sua família, do seu percurso profissional e académico à forma como exerceu os seus cargos políticos anteriores. Até escutas ao primeiro-ministro a oposição de direita quis que o país ouvisse, coisa que nunca alguém se atreveu a propor em qualquer outro caso. A verdade é esta: pequenos pormenores da vida de Sócrates ainda hoje vendem mais jornais do que venderia a biografia mais intima de Passos Coelho.
Porque gera tantos ódios José Sócrates? Os que o odeiam responderão com rapidez que faliu o país. Nessa não me apanham mesmo. Até porque a "narrativa" tem objetivos políticos e ideológicos que ultrapassam em muito a figura do ex-primeiro-ministro, o que revela até que ponto podem ser estúpidos os ódios pessoais de uma esquerda que, por mero oportunismo de momento, comprou uma tese que agora justifica todo o programa ideológico deste governo.
É pura e simplesmente falso que Sócrates tenha falido o país. E isto não é matéria de opinião. Sócrates faliu o país da mesma forma que todos os que eram primeiros-ministros entre 2008 e 2010 em países periféricos europeus o fizeram. Até 2008 todos os indicadores financeiros do Estado, a começar pela dívida pública, e todos os indicadores da economia seguiam a trajetória negativa que vinha desde a entrada de Portugal no euro (ou até desde o início da convergência com o marco, que lhe antecedeu), verdadeiro desastre económico que ajuda a explicar uma parte não negligenciável da situação em que estamos. A narrativa que esta crise se deve ao governo anterior, além de esbarrar com todos os factos (o truque tem sido o de juntar o aumento da dívida anterior e posterior a 2008 e assim esconder a verdadeira natureza dessa dívida), esbarra com a evidência do que se passa nos países que estavam em situação semelhante à nossa e não tiveram Sócrates como primeiro-ministro. Posso escrever tudo isto com uma enorme serenidade: fui opositor de Sócrates e sempre disse o que estou a dizer agora.
Também nada de fundamental, até 2008, distinguia, para o mal e para o bem, os governos de Sócrates dos anteriores. O que era diferente correspondia às pequenas diferenças entre os governos do PS e do PSD, que já poderiam ter sido detectadas em Guterres. O que era igual, conhecemos bem e podemos identificar em Barroso, Guterres ou Cavaco. Em todos eles houve decisões financeiras desastrosas - das PPP à integração de fundos de pensões privados na CGA, da venda ruinosa de ativos a maus investimentos públicos. Em todos eles houve interesses, tráficos de influências, mentiras, medidas demagógicas e eleitoralistas. Sócrates foi apenas mais um.
Há uma parte deste ódio que surgiu à posteriori (sim, vale a pena recordar que Sócrates venceu duas vezes as eleições). Perante a crise, o país precisava de encontrar um vilão da casa. Como escrevi, irritando até muitas pessoas de esquerda, em Outubro de 2010, ainda Sócrates era primeiro-ministro: "São sempre tão simples os dilemas nacionais: encontra-se um vilão, espera-se um salvador. Sócrates foi um péssimo primeiro-ministro? Seria o último a negá-lo. Mas, com estas opções europeias e a arquitetura do euro, um excelente governo apenas teria conseguido que estivéssemos um pouco menos mal. Só que discutir opções económicas e políticas dá demasiado trabalho. Discutir a Europa, que é 'lá fora', é enfadonho. É mais fácil reduzir a coisa a uma pessoa. Seria excelente que tudo se resumisse à inegável incompetência de Sócrates. Resolvia-se já amanhã." O único acerto a fazer é que, perante este governo, a avaliação de incompetências passou para um outro patamar.
Sócrates acabou por servir, nesta crise, para muitas cortinas de fumo. A de quem quis esconder as suas próprias responsabilidades passadas. A de quem queria impor uma agenda ideológica radical e tinha de vender uma "narrativa" que resumia a história portuguesa aos últimos 9 anos e esta crise a um debate sobre a dívida pública. E a de quem, sendo comentador, economista ou jornalista, e tendo fortes limitações na sua bagagem política, foi incapaz de compreender a complexidade desta crise e optou por uma linha um pouco mais básica: o tiro ao Sócrates. Não lhes retiro o direito ao asco. Eu tenho o mesmo pelo atual primeiro-ministro. Mas não faço confusões e já o escrevi várias vezes: Passos sai, Seguro entra e, se não houver um enfrentamento com a troika, fica tudo exatamente na mesma. Porque o problema não é exclusivamente português e, mantendo o país no atual quadro europeu, depende muito pouco do nosso governo.
Há outra explicação para o ódio que Sócrates provoca. As novas gerações da direita portuguesa são, depois de décadas na defensiva, de uma agressividade que Portugal ainda não conhecia. A que levou à decapitação da direção de Ferro Rodrigues, através do submundo da investigação criminal e do submundo do jornalismo, representado, desde sempre, pelo jornal "Correio da Manhã". A mesma que tratou de criar um cerco de suspeição que transformou, durante seis anos, a política nacional num debate quase exclusivamente em torno do carácter do primeiro-ministro. Um primeiro-ministro que, como tantos políticos em Portugal, se prestou facilmente a isso. Um cerco que fez com que poucos se dessem ao trabalho de perceber o que estava a acontecer na Europa desde 2008 e como isso viria a ser trágico para nós. Andávamos entretidos a discutir escutas e casos.
Foi esta direita que, irritada pela iminência de perder prematuramente o poder que tinha reconquistado há apenas três anos, espalhou o boato sobre a suposta homossexualidade de Sócrates. Pedro Santana Lopes veio, em reação à entrevista de Sócrates ao EXPRESSO, dizer que essa campanha vinha do PS. Tenho boa memória e recordo-me das indiretas no debate entre Santana e Sócrates, na SIC. Lembro-me também de Santana ter passado uma campanha a insistir para que Sócrates tomasse posição sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, quando isso ainda nem era debate e sabendo-se o boato que corria. Lembro-me ainda de, num inédito mas muito conveniente comício de mulheres do PSD, em Famalicão, em plena campanha, uma ter dito isto: "Ele [Santana] ainda é do tempo em que os homens escolhiam as mulheres para suas companheiras... bem hajam os homens que amam as mulheres!" E de, entusiasmado, Santana Lopes ter rematado, em declarações aos jornalistas: "O outro candidato [Sócrates] tem outros colos, estes colos sabem bem". Todos sabem como Santana importou, através de um publicitário brasileiro, uma determinada forma de fazer política. Felizmente, como se viu pelo seu resultado, não funcionou.
Goste-se ou não do estilo, Sócrates é, muitas vezes, de uma violência verbal inabitual em Portugal. Ele é, como se definiu na entrevista a Clara Ferreira Alves, anguloso. E voltou a prová-lo, nesta conversa, de forma eloquente. Num País habituado a políticos redondos isso choca. Ainda mais quando se trata de um líder do centro-esquerda, por tradição cerimoniosa e pouco dotada de coragem política. Sócrates, pelo contrário, tem, e isso nunca alguém lhe negou, uma extraordinária capacidade de confronto e combate. O estilo público de Guterres, Sampaio, Ferro Rodrigues e Seguro (muito diferentes entre si em tudo o resto) é aquele com o qual a direita gosta de se confrontar. A aspereza de Sócrates deixa-a possuída, irritada, quase invejosa. A ele não podiam, como fizeram com Guterres, acusar de indecisão e excesso de diálogo. Sócrates acertou na mouche: ele é o líder que a direita gostaria de ter.
Também a maioria dos portugueses tende a gostar de um estilo autoritário, mas sonso, que nunca diz claramente ao que vem, de que Cavaco Silva é talvez o exemplo mais acabado. Diz-se, ou costumava dizer-se, que Cavaco é previsível. Mas ele não é previsível por ser fiel às suas convicções, que nós desconhecemos quais sejam. É previsível porque quer sempre corresponder ao arquétipo do político nacional: moderado, ajuizado, prudente, asceta e severo. Apesar de, na realidade, no seu percurso cívico e político pouco ou nada corresponder a estas características. Pelo contrário, Sócrates corresponde, na sua imagem pública, ao oposto de tudo isto.
Não é o primeiro político português a fugir ao modelo do líder austero e sacrificado, que Salazar impôs ao imaginário nacional e que Cunhal, Eanes, Cavaco ou Louçã acabaram por, mesmo que involuntariamente, reproduzir. Já Soares fugira desse estilo e se apresentara emotivo, imprevisível e bon vivant. O que mudou desde então? Tudo. A exposição pública, o escrutínio da imprensa, o poder de disseminação do boato. Ainda assim, arrisco-me a dizer que se há um político português vivo que consegue arrebatar mais paixões, sejam de amor ou de ódio, do que José Sócrates ele é Mário Soares. À sua direita e à sua esquerda.
Mas há uma enorme diferença entre Soares e Sócrates: o estatuto. Que resulta da idade, do currículo político e do tempo histórico em que foram relevantes. E, para tentar resumir, é esta diferença que ainda faz Sócrates correr. Acho que ele não se importa nada de ser odiado pela direita e por parte da esquerda. O que o incomoda é isso não corresponder a um papel histórico que, mal ou bem, lhe seja reconhecido. É não ter atingido um estatuto em que ser odiado por muitos não só é normal como recomendável. No fundo, move-se pelo mesmo que todos os políticos que ambicionaram mais do que uma pequena carreira: o sonho da imortalidade. E essa é, entre outras, uma das razões porque não compro o retrato do pequeno bandido que enriqueceu com uns dinheiros dum outlet em Alcochete. Parece-me que a sua ambição é muito maior. Por isso, façamos-lhe justiça de acreditar que também serão maiores e, quem sabe, mais nobres os seus pecados."
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domingo, 20 de outubro de 2013
CAVACO SILVA AVALIA ORÇAMENTO DO ESTADO
Com a devida vénia do Jornal de Noticias publicamos:
Ver link IN "http://www.jn.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=3487125"
"Cavaco avalia custos de fiscalização do Orçamento
"O que posso dizer é o princípio pelo qual eu normalmente me rejo nestas situações: faço uma avaliação cuidadosa, recolhendo o máximo de informação sobre os custos de um orçamento não entrar em vigor no dia 1 de janeiro e os custos que resultam de eventualmente uma certa norma ser considerada inconstitucional já depois de o orçamento estar em vigor", afirmou Cavaco Silva, durante uma conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, no final da XXIII Cimeira Ibero-Americana, na Cidade do Panamá.
Escusando pronunciar-se sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2014, com a justificação de que desconhece "em definitivo o texto das diferentes normas", o Presidente da República acrescentou que foi esse o princípio pelo qual se regeu no ano passado: "E aí não tive nenhuma dúvida de que os custos da não entrada em vigor do Orçamento do Estado no dia 1 eram muito, muito, muito maiores do que termos de esperar durante algum tempo para conhecer se esta ou aquela norma era ou não declarada inconstitucional por parte do Tribunal".
"É este o princípio que me tem guiado no passado, é provável que seja o mesmo princípio que me guiará no futuro", concluiu.
Questionado se considera que o Governo apresentou um Orçamento do Estado para 2014 justo, equitativo e equilibrado, o chefe de Estado respondeu: "Este é o tempo da Assembleia da República, o tempo de os deputados darem o seu contributo, eventualmente, para o aperfeiçoamento do orçamento. O tempo do Presidente chega mais tarde, segundo li na imprensa chegará só no final do mês novembro, e só nessa altura é que o Presidente se pode pronunciar".
Ver link IN "http://www.jn.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=3487125"
"Cavaco avalia custos de fiscalização do Orçamento
O Presidente da República afirmou, este domingo, que tem tomado decisões sobre a fiscalização preventiva ou não da constitucionalidade dos orçamentos do Estado, com base numa avaliação cuidadosa dos custos, e que deverá fazer o mesmo este ano. "
"O que posso dizer é o princípio pelo qual eu normalmente me rejo nestas situações: faço uma avaliação cuidadosa, recolhendo o máximo de informação sobre os custos de um orçamento não entrar em vigor no dia 1 de janeiro e os custos que resultam de eventualmente uma certa norma ser considerada inconstitucional já depois de o orçamento estar em vigor", afirmou Cavaco Silva, durante uma conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, no final da XXIII Cimeira Ibero-Americana, na Cidade do Panamá.
Escusando pronunciar-se sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2014, com a justificação de que desconhece "em definitivo o texto das diferentes normas", o Presidente da República acrescentou que foi esse o princípio pelo qual se regeu no ano passado: "E aí não tive nenhuma dúvida de que os custos da não entrada em vigor do Orçamento do Estado no dia 1 eram muito, muito, muito maiores do que termos de esperar durante algum tempo para conhecer se esta ou aquela norma era ou não declarada inconstitucional por parte do Tribunal".
"É este o princípio que me tem guiado no passado, é provável que seja o mesmo princípio que me guiará no futuro", concluiu.
Questionado se considera que o Governo apresentou um Orçamento do Estado para 2014 justo, equitativo e equilibrado, o chefe de Estado respondeu: "Este é o tempo da Assembleia da República, o tempo de os deputados darem o seu contributo, eventualmente, para o aperfeiçoamento do orçamento. O tempo do Presidente chega mais tarde, segundo li na imprensa chegará só no final do mês novembro, e só nessa altura é que o Presidente se pode pronunciar".
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cavaco silva - orçamento
domingo, 13 de outubro de 2013
JORGE SAMPAIO E O MOMENTO POLÍTICO
Com a devida vénia de SIC NOTÍCIAS e O PÚBLICO, Jorge Sampaio, ex-presidente da república, numa entrevista em que põe os pontos nos ii:
Ver o link IN
http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2012/10/14/jorge-sampaio-em-entrevista-ao-portugal-2012
O antigo Presidente da República, Jorge Sampaio, repudiou neste sábado as críticas ao Tribunal Constitucional feitas pela directora do FMI e pelo presidente da Comissão Europeia, defendo que deve haver “um assomo patriótico” na defesa das instituições da democracia portuguesa.
Referindo-se às críticas ao Tribunal Constitucional, afirmou: “esta barragem já vai pelo doutor Durão Barroso, que nos manda ter juízo, vai pela senhora Lagarde, que não é capaz de dizer isso sobre o equivalente ao Tribunal Constitucional em França, e ninguém o diz na Alemanha”, afirmou.
“Eu senti um apelo patriótico, não por causa da decisão A ou da decisão B. É inadmissível que a gente não defenda a nossa democracia, as nossas instituições”, disse.
Contudo, o ex-Presidente não se referia somente às críticas internacionais, considerando que que “é uma coisa tristíssima” aquilo “que tem acontecido, quer exterior, quer interiormente, sobre o Tribunal Constitucional”. “A maneira como se fala do Tribunal Constitucional é uma coisa de uma gravidade extrema”, declarou.
Para Jorge Sampaio, o Tribunal Constitucional “tem dado provas, em largos anos, de uma jurisprudência que tem formatado a vida democrática e constitucional portuguesa” e é “uma peça essencial, sobretudo quando há cortes muito sérios em relação a princípios fundamentais, que têm que ser analisados pela instância que se criou para isso, princípios de justiça, da proporcionalidade”.
“As pessoas que dizem ‘reveja-se, faça-se’, não dizem onde. Porque são princípios fundamentais que estão em todas [as Constituições]”, afirmou.
“As pessoas só falam do jargão socializante da Constituição, isso não tem importância para o que estamos a discutir, os princípios fundamentais seriam sempre os de uma Constituição [democrática]”, argumentou.
Sobre os eventuais cortes nas pensões de sobrevivência, o antigo Presidente considerou que “há um contrato intergeracional que se está a quebrar” e isso é “gravíssimo para a coesão social portuguesa”. “Não podem ser sempre os mesmos e, sobretudo os mais frágeis, a quem as coisas acontecem todas”, afirmou.
Momento muito difícil
Contudo, o antigo Chefe de Estado afirmou que “este é um momento muito difícil para qualquer governação”, defendendo a necessidade de um “compromisso”, considerando, contudo, que soluções como um governo de salvação nacional estão “ultrapassadas”.
“Eu também digo aos meus amigos do Partido Socialista que têm à sua frente um momento muito difícil. Sabem tão bem como eu, ou melhor, ou têm a obrigação de saber, que têm uma situação quando ganharem as eleições, como tudo pode parecer indicar, têm às suas costas uma coisa extremamente difícil”, afirmou.
Sampaio diz não ter dúvidas que o PS é “olhado como alternativa”, mas tem “a convicção” que “as pessoas poderão pensar que não poderá governar sozinho”.
“Era preciso um novo sopro social e um novo sopro político e era preciso alguma modéstia para ele ser feito. A modéstia e o pragmatismo também têm que ter o seu lugar”, afirmou.
Sobre as declarações de Rui Machete sobre Angola, em que o ministro dos Negócios Estrangeiros pediu desculpas públicas a Angola por investigações em curso a empresários angolanos, Sampaio ressalvou ser seu amigo, e não quis revelar se achava que se devia demitir, embora tenha afirmado que “o que se passou foi negativo”.
“Permito-me publicamente achar que o senhor Presidente da República tem que fazer uma avaliação sobre o que é que isso quer dizer, ele que foi importante nas relações relações Portugal/Angola, o que é que isso quer dizer para futuro, o que é que isso quer dizer em relação ao Governo”, afirmou.
Sem explicar como, Sampaio disse que a resolução desta questão passa pelo ministro Rui Machete, pelo Presidente da República, Cavaco Silva, e pelo primeiro-ministro, Passos Coelho.
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http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2012/10/14/jorge-sampaio-em-entrevista-ao-portugal-2012
O antigo Presidente da República, Jorge Sampaio, repudiou neste sábado as críticas ao Tribunal Constitucional feitas pela directora do FMI e pelo presidente da Comissão Europeia, defendo que deve haver “um assomo patriótico” na defesa das instituições da democracia portuguesa.
“Repudio isso de uma forma frontal. Temos que ter um assomo patriótico das decisões que são tomadas, criticá-las, quando for caso disso, com certeza, ameaçá-las é outra coisa”, afirmou Jorge Sampaio em entrevista ao programa “A propósito”, da SIC-Notícias.
Na entrevista, Sampaio critica os cortes nas pensões de sobrevivência e, sobre o caso Machete, considera que deve ser resolvido pelo “tríptico” composto pelo próprio ministro, o Presidente da República e o primeiro-ministro.Referindo-se às críticas ao Tribunal Constitucional, afirmou: “esta barragem já vai pelo doutor Durão Barroso, que nos manda ter juízo, vai pela senhora Lagarde, que não é capaz de dizer isso sobre o equivalente ao Tribunal Constitucional em França, e ninguém o diz na Alemanha”, afirmou.
“Eu senti um apelo patriótico, não por causa da decisão A ou da decisão B. É inadmissível que a gente não defenda a nossa democracia, as nossas instituições”, disse.
Contudo, o ex-Presidente não se referia somente às críticas internacionais, considerando que que “é uma coisa tristíssima” aquilo “que tem acontecido, quer exterior, quer interiormente, sobre o Tribunal Constitucional”. “A maneira como se fala do Tribunal Constitucional é uma coisa de uma gravidade extrema”, declarou.
Para Jorge Sampaio, o Tribunal Constitucional “tem dado provas, em largos anos, de uma jurisprudência que tem formatado a vida democrática e constitucional portuguesa” e é “uma peça essencial, sobretudo quando há cortes muito sérios em relação a princípios fundamentais, que têm que ser analisados pela instância que se criou para isso, princípios de justiça, da proporcionalidade”.
“As pessoas que dizem ‘reveja-se, faça-se’, não dizem onde. Porque são princípios fundamentais que estão em todas [as Constituições]”, afirmou.
“As pessoas só falam do jargão socializante da Constituição, isso não tem importância para o que estamos a discutir, os princípios fundamentais seriam sempre os de uma Constituição [democrática]”, argumentou.
Sobre os eventuais cortes nas pensões de sobrevivência, o antigo Presidente considerou que “há um contrato intergeracional que se está a quebrar” e isso é “gravíssimo para a coesão social portuguesa”. “Não podem ser sempre os mesmos e, sobretudo os mais frágeis, a quem as coisas acontecem todas”, afirmou.
Momento muito difícil
Contudo, o antigo Chefe de Estado afirmou que “este é um momento muito difícil para qualquer governação”, defendendo a necessidade de um “compromisso”, considerando, contudo, que soluções como um governo de salvação nacional estão “ultrapassadas”.
“Eu também digo aos meus amigos do Partido Socialista que têm à sua frente um momento muito difícil. Sabem tão bem como eu, ou melhor, ou têm a obrigação de saber, que têm uma situação quando ganharem as eleições, como tudo pode parecer indicar, têm às suas costas uma coisa extremamente difícil”, afirmou.
Sampaio diz não ter dúvidas que o PS é “olhado como alternativa”, mas tem “a convicção” que “as pessoas poderão pensar que não poderá governar sozinho”.
“Era preciso um novo sopro social e um novo sopro político e era preciso alguma modéstia para ele ser feito. A modéstia e o pragmatismo também têm que ter o seu lugar”, afirmou.
Sobre as declarações de Rui Machete sobre Angola, em que o ministro dos Negócios Estrangeiros pediu desculpas públicas a Angola por investigações em curso a empresários angolanos, Sampaio ressalvou ser seu amigo, e não quis revelar se achava que se devia demitir, embora tenha afirmado que “o que se passou foi negativo”.
“Permito-me publicamente achar que o senhor Presidente da República tem que fazer uma avaliação sobre o que é que isso quer dizer, ele que foi importante nas relações relações Portugal/Angola, o que é que isso quer dizer para futuro, o que é que isso quer dizer em relação ao Governo”, afirmou.
Sem explicar como, Sampaio disse que a resolução desta questão passa pelo ministro Rui Machete, pelo Presidente da República, Cavaco Silva, e pelo primeiro-ministro, Passos Coelho.
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Jorge Sampaio - opinião
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
E AGORA? ...
AO QUE PARECE O CAMINHO QUE ESTAMOS A TRILHAR NÃO É O MELHOR! SÃO OS PRÓPRIOS ALEMÃES A RECONHECER... O QUE É FEITO DOS REPRESENTANTES DA REPÚBLICA, MODERADORES, GUARDIÕES DO POVO E DAS INSTITUIÇÕES, OU OUTRO QUALQUER PALAVRÃO QUE SE QUEIRA CHAMAR? DEPOIS DISTO TUDO, QUANDO O PAÍS CAIR NUM BURACO SEM RETORNO QUEM É O RESPONSÁVEL (RESPONSÁVEIS) E QUE PUNIÇÃO (PUNIÇÕES) SÃO DISTRIBUIDAS E A QUEM ???...
Com a devida vénia Jornal I
IN http://www.ionline.pt/artigos/dinheiro/se-eu-fosse-primeiro-ministro-portugal-aliava-me-espanha-italia
ou
Com a devida vénia Jornal I
IN http://www.ionline.pt/artigos/dinheiro/se-eu-fosse-primeiro-ministro-portugal-aliava-me-espanha-italia
ou
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"Wolfgang Münchau: "Se eu fosse primeiro-ministro de Portugal aliava-me a Espanha e Itália"
Por Isabel Tavares
publicado em 21 Set 2013 - 15:35
publicado em 21 Set 2013 - 15:35
O analista, Wolfgang Münchau, diz que a Alemanha estáa fazer tudo mal. E lembra que Merkel é uma gestora e não uma mulher de ideias políticas
"Pai, posso ir à casa de banho?", pergunta um miúdo alemão. "Só depois das eleições", responde-lhe o pai. A anedota circula na internet e serve para Wolfgang Münchau, colunista do "Financial Times" e fundador da Eurointelligence, ilustrar a dependência dos alemães das eleições legislativas que se realizam amanhã. A verdade é que a expectativa não deixa apenas a Alemanha em suspenso, mas toda a Europa. Mesmo Münchau, que acredita que os outros países atribuem demasiada importância às decisões da Alemanha e dão a Merkel um protagonismo que esta não tem, admite que há medidas que devem esperar pelos resultados eleitorais. É o caso de Portugal, que deve agir imediatamente e decidir se fica ou sai do euro, uma questão prática e não de princípio, caso o governo queira ter algum poder negocial. Que tem.
Que europeu é Wolfgang Münchau?
Nunca pensei nisso... Para mim, ser europeu e ter uma nacionalidade não é conflituoso, nunca assumi o facto de ser europeu como um substituto de uma nacionalidade, como a perda de identidade enquanto cidadão de um país. Não é como os americanos e os Estados Unidos da América.
Como é, então?
Sempre vi a Europa como algo diferente dos Estados Unidos da América. Não cabe na definição de federação, de Estado-nação, de confederação ou, tão-pouco, de uma união no sentido clássico, de um clube de trocas ou de uma união de clientes. Tem a sua construção e estrutura própria e talvez seja o modelo do futuro, talvez tenha seguidores no século XXII, mas é um projecto bastante sui generis.
Há uma corrente que defende mais federalismo para a União Europeia...
O normal, na maioria dos países, é o Estado ter um peso de entre 30% e 60% na riqueza produzida - na Europa, um pouco mais; nos Estados Unidos da América, um pouco menos. A União Europeia nunca chegará lá. O tipo de Europa que eu imagino gastará muito menos do que isso, o que também mostra que a União Europeia não é nada como os Estados Unidos, é muitíssimo menor. Claro que, se olharmos para a zona euro, por exemplo, ela requer um certo grau de estruturas federativas no campo económico. Penso que qualquer coisa como 5% é mais do que suficiente para garantir o seu funcionamento, a sua estabilidade e a gestão de choques económicos que possam ocorrer de tempos a tempos - criando sistemas que nos permitem lidar com os problemas de dívida de uma forma muito mais eficaz do que aquilo que estamos a fazer neste momento. É por isso que defendo um pequeno centro de decisão, forte mas não alargado. Portanto, não sou um pró-europeu que acha que nos estão a transformar num Estado único, porque não acho.
A dívida é o nosso maior problema ou existem outras questões mais difíceis de resolver e que estão a dificultar o encontrar uma solução para este problema em concreto?
Penso que os problemas estão interligados. A crise da dívida é o problema imediato, a razão pela qual a economia não está a crescer e, como a economia não cresce, há demasiada gente desempregada. Se queremos resolver o problema do desemprego, temos de ir à sua raiz, a crise da dívida. Por isso, é para esta que tem de se encontrar uma solução. É a crise da dívida que está a impedir que a economia cresça a jusante da cadeia.
Começa a ser cada vez mais difícil a Portugal pagar a sua dívida. Um segundo resgate é a solução?
Mesmo um segundo resgate não iria ajudar. Um resgate não é mais do que um crédito, não reduz a dívida, a única coisa que faz é adiar o problema. Pode aliviar no curto prazo, mas não resolve nada numa perspectiva de longo prazo.
Porque é que Portugal não está a conseguir recuperar? O que falhou?
Todos os programas se basearam em hipóteses demasiado optimistas. No caso de Portugal, ninguém estimou previamente o impacte do Tribunal Constitucional, por exemplo. Mas o ponto principal nem é tanto a dificuldade em atingir um certo nível de austeridade, mas a dificuldade em regressar ao nível de crescimento necessário para a dívida ser sustentável.
O que é que pode ajudar Portugal?
Portugal precisa de uma redução da dívida, de um perdão parcial da dívida. A performance das exportações portuguesas é bastante impressionante, mas isso está longe de ser suficiente. Portugal precisa de um crescimento anual de 10%. A Irlanda saiu do programa de dívida nos anos 80, quando estava com um crescimento anual de 8% a 10%. [Nos anos 80, a Irlanda sofreu uma grave crise, tendo a sua dívida pública chegado aos 120% do produto interno bruto (PIB). Partidos e parceiros sociais entenderam-se em 1987, para darem a volta à situação. O êxito foi espectacular. Entre 1987 e 1990, as despesas correntes do Estado caíram 17%, descontando a inflação. O PIB subiu na década de 90, à média anual de 7%. Foi um dos raros casos de austeridade expansionista. Entre 1986 e 1995, a Irlanda investiu apenas 17% do PIB, contra 27% em Portugal. A estratégia irlandesa assentou na atracção de investimento directo estrangeiro virado para as exportações.] Com um crescimento anual de 8% a 10%, ao longo de um período de 10 a 15 anos, é possível pagar a dívida... Mas isto não vai acontecer a Portugal, não neste ambiente, estamos numa era diferente. Portugal conseguirá uns 2% - que é até mais do que o crescimento da Alemanha -, mas isso não é suficiente. E isto é num cenário optimista.
Se todos sabem isso, se todos estão de acordo quanto a isso, analistas económicos e responsáveis políticos, porquê insistir em algo que vai falhar?
Porque, centralmente, não há ninguém que tome a decisão. A Alemanha tem um calendário, o Banco Central Europeu tem de actuar dentro dos limites de uma moldura legal, a Comissão Europeia tem de fazer as coisas dentro de determinada moldura política... Tudo o que se faz na União Europeia, na zona euro, é uma negociação triangular entre os interesses políticos, as contingências legais e as necessidades económicas.
Mas como é possível chegar a acordo se todos os envolvidos têm interesses divergentes?
É aquilo que temos. O motivo pelo qual as coisas não estão a funcionar é porque não há ninguém em todo este processo que diga: vai resultar. Estão todos voltados para si: uns querem recuperar o seu dinheiro, o governo não quer falhar, os responsáveis não querem ficar mal na fotografia, mas nenhum dos intervenientes na negociação do acordo diz que esta é uma solução viável. Essa é uma pergunta que nunca foi feita, nunca ninguém - jornalistas, analistas, comentadores ou responsáveis pelo programa - fez essa pergunta, isso nunca esteve em causa nestas negociações. Havia necessidades muito concretas, era preciso fazer pagamentos, evitar a bancarrota, e os políticos queriam, muito provavelmente, sobreviver até ao mês seguinte. Ninguém parou para pensar.
O que pensa que deve ser feito?
A primeira coisa que a zona euro tem de fazer é reconhecer que uma parte da dívida tem de ser eliminada. E isso requer um perdão parcial e a reestruturação da dívida. Mas não pode acontecer enquanto os países credores - e não é apenas a Alemanha, a Alemanha nem é o mais radical, penso que o mais radical é a Finlândia - não o aceitarem. E isso ainda não aconteceu.
Disse que ninguém pensou na sustentabilidade do programa. António Vitorino, ex-comissário europeu, afirmou que os cidadãos europeus são ignorantes quanto às questões da Europa. Mas houve muita gente a questionar a viabilidade das medidas. Outros acreditaram que os envolvidos eram profissionais, economistas experientes, sabiam o que estavam a fazer. Isto não descredibiliza os responsáveis europeus e do FMI, que parecem não ter pensado no básico, e não afasta ainda mais os cidadãos destas matérias?
É uma boa questão, mas não me parece que as pessoas julguem essas matérias? Steve Jobs [co-fundador da Apple] disse uma vez que não compete ao consumidor saber o que quer. Eu concordo. Os cidadãos não têm de compreender a Europa, essa tarefa é de quem lida com essas questões todos os dias. As pessoas preocupam-se é com o seu bem-estar e com o facto de terem ou não emprego. Se vêem que um sistema falha sistematicamente em distribuir prosperidade pelas famílias, concluem que o sistema não funciona. Primeiro acham que é culpa do governo e, passados dez anos, que a culpa é da Europa e do euro. Ou seja, actualmente, as pessoas dizem: estou sem emprego, quero outro governo. Dentro em breve dirão: estou sem emprego, quero sair do euro.
Não podem só achar que quem decide, nos vários níveis, é incompetente?
Podem, mas com 20% de desemprego conclui-se que é o sistema que não está a resultar. Sem mudança, a economia vai ficar deprimida durante muito tempo. Duvido que algum país tenha estômago para uma depressão que dure dez ou 20 anos.
E quanto tempo devemos esperar para ver se o sistema tem solução?
Eu não esperaria, esperar não ajuda. Não se ganha nada esperando. O ajustamento pode até não vos resolver o problema da dívida, isso irá levar anos, não significa que vão ser felizes no dia seguinte. Mas, pelo menos, terão uma trajectória que é clara, saberão para onde vão, onde querem chegar e que medidas têm de adoptar para lá chegar. E, enquanto o fazem, poderão reduzir o desemprego. Agora, como estão é que não há esperança. Portanto, eu começaria este processo imediatamente, depois da eleições alemãs.
Por onde começaria?
Provavelmente, começaria por me reunir com outros governos - penso que é uma coisa que ainda não aconteceu. Se eu fosse primeiro-ministro de Portugal, provavelmente iria querer manter um diálogo muito estreito com os meus colegas espanhóis e italianos para ver como é que, juntos, poderíamos influenciar as decisões frente à troika, à zona euro, à Comissão Europeia e outros. Se mantiverem uma posição unida, ganham poder perante a Comissão Europeia e os restantes. Aliado a Espanha e Itália, a posição de Portugal seria mais forte face à troika do que, obviamente, se estiver separado e ainda por cima a criticar os italianos e a dizer que não é tão mau como a Espanha. Isso não ajuda Espanha e também não ajuda a Itália, logo, também não ajuda Portugal. Portanto, não é uma posição inteligente.
Portugal deve sair do euro?
Não defendo que Portugal deve abandonar o euro, o que defendo é que deve considerar muito bem essa hipótese. O governo português tem de decidir se o país deve falir dentro do euro ou fora do euro.
O que aconteceria se Portugal deixasse o euro?
Penso que o melhor cenário seria aquele em que já existe um plano alternativo. Caso contrário, significa que teríamos de alterar tratados e, basicamente, não abandonar agora, mas daqui a cinco anos. Não existe esse tempo.
E voltaríamos ao escudo. Como seria feita a paridade da moeda?
Seria um para um. Provavelmente chamar-lhe-iam o euro português, mas podem chamar-lhe o que quiserem. Claro que o valor da nova moeda iria por aí abaixo, mas até poderiam manter o euro para algumas coisas... Iriam precisar de uma estratégia para a dívida, mas depois teriam um banco central que poderia emitir tantos escudos quantos quisesse.
A Grécia vai sair do euro, deve sair do euro?
Se a Grécia sair da zona euro, que é o que acho que vai acabar por acontecer, a pressão será mais forte sobre Portugal. Sem um certo grau de mutualização de dívida, não vejo como é que Portugal pode alguma vez prosperar na zona euro. Infelizmente, a melhor opção para os gregos não está disponível. Devia ser um acordo para entrar em incumprimento, dentro da zona euro, de forma a reduzir a dívida para um nível realista - como 80% do PIB ou ainda menos. Se assim não for, é do melhor interesse para a Grécia abandonar o euro.
Há pouco falou na Irlanda, que voltou a colapsar em 2008. Também teve de adoptar medidas de austeridade duríssimas e o desemprego, que quase não existia, chegou aos 15%. A grande diferença em relação a Portugal é que o potencial irlandês de competitividade manteve-se. A sua economia cresce há dois anos e o país consegue emitir dívida a dez anos a uma taxa que ronda os 4%. As taxas de juro que Portugal está a pagar são justas?
As taxas de juro nunca são uma questão de justiça. Podem estar demasiado altas para o crescimento, mas?
Se estão demasiado altas para o que podemos pagar, acabaremos por entrar em incumprimento...
Exactamente, e esse é o problema da União Monetária, no qual ninguém pensou quando ela se fez. Não existem instrumentos de qualidade para resolver alguns problemas que vão surgindo. Penso que o programa das Transacções Monetárias Definitivas [TMD] é destinado apenas a países que não têm um programa de ajustamento, ou seja, também não é para Portugal. De toda a maneira, sou céptico em relação aos efeitos do programa depois de estar um ano em vigor. Na verdade, foi desenhado para Itália e para Espanha e não vejo mais nenhum país a querer aderir por razões políticas. Como programa-fantasma que é, penso que não vai sobreviver indefinidamente.
O euro vai acabar?
Não posso excluir essa possibilidade, mas não é o meu principal cenário. Claro que as pessoas não vão aguentar esta depressão se ela durar 20 anos, se ninguém resolver o problema. A dada altura as pessoas vão estar cansadas e vão concluir que, se isto não está bem, não pode continuar.
A União Europeia está condenada?
Condenada significa inevitável e não penso que isso seja uma inevitabilidade. Mas pode muito bem não acabar bem, isso é verdade. Há cenários que sugerem que as coisas não foram bem conseguidas, ninguém quer fazer diagnósticos, os interesses divergem, ninguém lidera, ninguém assume.
A chanceler Merkel é a cola que mantém a Europa unida ou aquilo que a divide?
Depende daquilo que queremos. Se queremos que a Alemanha seja líder, ela pode levar-nos numa direcção que não é aquela para onde queremos caminhar. Mas liderança não significa que nos dêem tudo o que queremos - até as eurobonds, que eu defendo. Eu discordo da sua política, mas acredito que ela é uma primeira-ministra competente e que é uma líder forte. Mas é sobretudo uma gestora, não é uma mulher de ideias políticas. Ela é muito mais pragmática do que se possa pensar, sobretudo no campo económico, até mais do que alguns colegas alemães. Merkel não lidera a opinião conservadora, é uma pessoa muito mais prática, e tem os seus limites.
O Banco Central Europeu diz que, neste momento, não vê risco em algum país da zona euro entrar em deflação. Concorda?
A deflação também não é o meu cenário principal, embora exista um risco não trivial de a economia poder entrar numa espiral deflacionista se estiver exposta a outro choque - por exemplo, um choque do género do provocado pelo Lehman Brothers.
Qual é o seu principal cenário?
Penso que a inflação ficará de forma persistente abaixo da meta para a inflação - que é um género de deflação, quando se define a estabilidade de preços em 2% [a fasquia oficial do BCE].
Acredita que a união bancária esteja a funcionar em 2014?
Algo com esse nome, sim, mas não uma união bancária a sério. Sem uma rede de segurança orçamental comum e um sistema comum de garantia de depósitos, não podemos falar em união bancária.
Na sua opinião, qual será o próximo país a capitular?
É muito difícil de prever. Pode até ser apenas uma questão emocional? No entanto, se o euro falhar, não será por causa da Grécia ou de Portugal, será por causa da Itália. A Itália será o problema que se segue.
Haverá dinheiro para ajudar a Itália e, talvez, outros países?
A Alemanha não poderia fazê-lo, mas a Europa pode. De qualquer forma, o resgate de Itália seria muito mais complicado, desde logo por uma questão de escala e, depois, pelo muito provável efeito de contágio. E também não devem subestimar o potencial de um fracasso de Portugal. Se Portugal sair da zona euro, isso levantará imediatamente questões graves em Itália e Espanha.
Na tal lógica de aliança, o que pensa que aconteceria se os três países, Portugal, Espanha e Itália, anunciassem a saída do euro?
Seria uma posição muito forte, acho que os restantes países iriam tentar impedir-vos. Os governos do sul da Europa subestimam o seu poder negocial. Provavelmente, os restantes países quereriam proteger os seus investimentos nesta zona e iriam ficar zangados. Isso, possivelmente, iria provocar uma mudança nas negociações. Mas os três teriam de saber exactamente o que querem. O governo português teria de decidir se o país deve falir dentro da zona euro ou fora da zona euro. Não poderiam fazer bluff, teriam de ser sérios e estar determinados nas suas convicções. Mas, volto a dizer, não sou a favor de que saiam do euro, o que digo é que, ao excluírem essa hipótese apenas por uma questão de princípio, estão a enfraquecer a vossa posição, estão a mostrar o jogo todo.
A Alemanha está a tomar as decisões certas?
Não, a Alemanha está a fazer tudo mal. O problema é que a Alemanha é uma grande economia aberta que se comporta como uma pequena economia. É uma economia feita para ter excedentes. E a própria zona euro, que é muito maior, comporta-se como a Alemanha e não devia. Agora todos têm excedentes. Essa estratégia terá um impacte no resto do mundo e não acredito que esta seja uma forma sustentada de resolver a situação, dependendo de os Estados Unidos aceitarem ter grandes défices. Ao transformar-se numa Alemanha, a zona euro é um factor seriamente desestabilizador para todo o mundo. E devia gerar receita não por ser barata, o que não significa que não possa reduzir salários num período de austeridade.
O resultado das eleições gerais na Alemanha pode mudar alguma coisa de essencial na forma como a União Europeia está a ser conduzida?
Penso que sim. Se a coligação actual (CDU/FDP) ganhar, o SPD será anti-governo na questão dos resgates aos países do euro. Como o governo não tem maioria na câmara alta do parlamento, a margem de manobra política é reduzida. Se as eleições resultarem numa grande coligação, não vejo mudanças para melhor ou pior - excepto o facto de as políticas se tornarem um pouco mais previsíveis."
Que europeu é Wolfgang Münchau?
Nunca pensei nisso... Para mim, ser europeu e ter uma nacionalidade não é conflituoso, nunca assumi o facto de ser europeu como um substituto de uma nacionalidade, como a perda de identidade enquanto cidadão de um país. Não é como os americanos e os Estados Unidos da América.
Como é, então?
Sempre vi a Europa como algo diferente dos Estados Unidos da América. Não cabe na definição de federação, de Estado-nação, de confederação ou, tão-pouco, de uma união no sentido clássico, de um clube de trocas ou de uma união de clientes. Tem a sua construção e estrutura própria e talvez seja o modelo do futuro, talvez tenha seguidores no século XXII, mas é um projecto bastante sui generis.
Há uma corrente que defende mais federalismo para a União Europeia...
O normal, na maioria dos países, é o Estado ter um peso de entre 30% e 60% na riqueza produzida - na Europa, um pouco mais; nos Estados Unidos da América, um pouco menos. A União Europeia nunca chegará lá. O tipo de Europa que eu imagino gastará muito menos do que isso, o que também mostra que a União Europeia não é nada como os Estados Unidos, é muitíssimo menor. Claro que, se olharmos para a zona euro, por exemplo, ela requer um certo grau de estruturas federativas no campo económico. Penso que qualquer coisa como 5% é mais do que suficiente para garantir o seu funcionamento, a sua estabilidade e a gestão de choques económicos que possam ocorrer de tempos a tempos - criando sistemas que nos permitem lidar com os problemas de dívida de uma forma muito mais eficaz do que aquilo que estamos a fazer neste momento. É por isso que defendo um pequeno centro de decisão, forte mas não alargado. Portanto, não sou um pró-europeu que acha que nos estão a transformar num Estado único, porque não acho.
A dívida é o nosso maior problema ou existem outras questões mais difíceis de resolver e que estão a dificultar o encontrar uma solução para este problema em concreto?
Penso que os problemas estão interligados. A crise da dívida é o problema imediato, a razão pela qual a economia não está a crescer e, como a economia não cresce, há demasiada gente desempregada. Se queremos resolver o problema do desemprego, temos de ir à sua raiz, a crise da dívida. Por isso, é para esta que tem de se encontrar uma solução. É a crise da dívida que está a impedir que a economia cresça a jusante da cadeia.
Começa a ser cada vez mais difícil a Portugal pagar a sua dívida. Um segundo resgate é a solução?
Mesmo um segundo resgate não iria ajudar. Um resgate não é mais do que um crédito, não reduz a dívida, a única coisa que faz é adiar o problema. Pode aliviar no curto prazo, mas não resolve nada numa perspectiva de longo prazo.
Porque é que Portugal não está a conseguir recuperar? O que falhou?
Todos os programas se basearam em hipóteses demasiado optimistas. No caso de Portugal, ninguém estimou previamente o impacte do Tribunal Constitucional, por exemplo. Mas o ponto principal nem é tanto a dificuldade em atingir um certo nível de austeridade, mas a dificuldade em regressar ao nível de crescimento necessário para a dívida ser sustentável.
O que é que pode ajudar Portugal?
Portugal precisa de uma redução da dívida, de um perdão parcial da dívida. A performance das exportações portuguesas é bastante impressionante, mas isso está longe de ser suficiente. Portugal precisa de um crescimento anual de 10%. A Irlanda saiu do programa de dívida nos anos 80, quando estava com um crescimento anual de 8% a 10%. [Nos anos 80, a Irlanda sofreu uma grave crise, tendo a sua dívida pública chegado aos 120% do produto interno bruto (PIB). Partidos e parceiros sociais entenderam-se em 1987, para darem a volta à situação. O êxito foi espectacular. Entre 1987 e 1990, as despesas correntes do Estado caíram 17%, descontando a inflação. O PIB subiu na década de 90, à média anual de 7%. Foi um dos raros casos de austeridade expansionista. Entre 1986 e 1995, a Irlanda investiu apenas 17% do PIB, contra 27% em Portugal. A estratégia irlandesa assentou na atracção de investimento directo estrangeiro virado para as exportações.] Com um crescimento anual de 8% a 10%, ao longo de um período de 10 a 15 anos, é possível pagar a dívida... Mas isto não vai acontecer a Portugal, não neste ambiente, estamos numa era diferente. Portugal conseguirá uns 2% - que é até mais do que o crescimento da Alemanha -, mas isso não é suficiente. E isto é num cenário optimista.
Se todos sabem isso, se todos estão de acordo quanto a isso, analistas económicos e responsáveis políticos, porquê insistir em algo que vai falhar?
Porque, centralmente, não há ninguém que tome a decisão. A Alemanha tem um calendário, o Banco Central Europeu tem de actuar dentro dos limites de uma moldura legal, a Comissão Europeia tem de fazer as coisas dentro de determinada moldura política... Tudo o que se faz na União Europeia, na zona euro, é uma negociação triangular entre os interesses políticos, as contingências legais e as necessidades económicas.
Mas como é possível chegar a acordo se todos os envolvidos têm interesses divergentes?
É aquilo que temos. O motivo pelo qual as coisas não estão a funcionar é porque não há ninguém em todo este processo que diga: vai resultar. Estão todos voltados para si: uns querem recuperar o seu dinheiro, o governo não quer falhar, os responsáveis não querem ficar mal na fotografia, mas nenhum dos intervenientes na negociação do acordo diz que esta é uma solução viável. Essa é uma pergunta que nunca foi feita, nunca ninguém - jornalistas, analistas, comentadores ou responsáveis pelo programa - fez essa pergunta, isso nunca esteve em causa nestas negociações. Havia necessidades muito concretas, era preciso fazer pagamentos, evitar a bancarrota, e os políticos queriam, muito provavelmente, sobreviver até ao mês seguinte. Ninguém parou para pensar.
O que pensa que deve ser feito?
A primeira coisa que a zona euro tem de fazer é reconhecer que uma parte da dívida tem de ser eliminada. E isso requer um perdão parcial e a reestruturação da dívida. Mas não pode acontecer enquanto os países credores - e não é apenas a Alemanha, a Alemanha nem é o mais radical, penso que o mais radical é a Finlândia - não o aceitarem. E isso ainda não aconteceu.
Disse que ninguém pensou na sustentabilidade do programa. António Vitorino, ex-comissário europeu, afirmou que os cidadãos europeus são ignorantes quanto às questões da Europa. Mas houve muita gente a questionar a viabilidade das medidas. Outros acreditaram que os envolvidos eram profissionais, economistas experientes, sabiam o que estavam a fazer. Isto não descredibiliza os responsáveis europeus e do FMI, que parecem não ter pensado no básico, e não afasta ainda mais os cidadãos destas matérias?
É uma boa questão, mas não me parece que as pessoas julguem essas matérias? Steve Jobs [co-fundador da Apple] disse uma vez que não compete ao consumidor saber o que quer. Eu concordo. Os cidadãos não têm de compreender a Europa, essa tarefa é de quem lida com essas questões todos os dias. As pessoas preocupam-se é com o seu bem-estar e com o facto de terem ou não emprego. Se vêem que um sistema falha sistematicamente em distribuir prosperidade pelas famílias, concluem que o sistema não funciona. Primeiro acham que é culpa do governo e, passados dez anos, que a culpa é da Europa e do euro. Ou seja, actualmente, as pessoas dizem: estou sem emprego, quero outro governo. Dentro em breve dirão: estou sem emprego, quero sair do euro.
Não podem só achar que quem decide, nos vários níveis, é incompetente?
Podem, mas com 20% de desemprego conclui-se que é o sistema que não está a resultar. Sem mudança, a economia vai ficar deprimida durante muito tempo. Duvido que algum país tenha estômago para uma depressão que dure dez ou 20 anos.
E quanto tempo devemos esperar para ver se o sistema tem solução?
Eu não esperaria, esperar não ajuda. Não se ganha nada esperando. O ajustamento pode até não vos resolver o problema da dívida, isso irá levar anos, não significa que vão ser felizes no dia seguinte. Mas, pelo menos, terão uma trajectória que é clara, saberão para onde vão, onde querem chegar e que medidas têm de adoptar para lá chegar. E, enquanto o fazem, poderão reduzir o desemprego. Agora, como estão é que não há esperança. Portanto, eu começaria este processo imediatamente, depois da eleições alemãs.
Por onde começaria?
Provavelmente, começaria por me reunir com outros governos - penso que é uma coisa que ainda não aconteceu. Se eu fosse primeiro-ministro de Portugal, provavelmente iria querer manter um diálogo muito estreito com os meus colegas espanhóis e italianos para ver como é que, juntos, poderíamos influenciar as decisões frente à troika, à zona euro, à Comissão Europeia e outros. Se mantiverem uma posição unida, ganham poder perante a Comissão Europeia e os restantes. Aliado a Espanha e Itália, a posição de Portugal seria mais forte face à troika do que, obviamente, se estiver separado e ainda por cima a criticar os italianos e a dizer que não é tão mau como a Espanha. Isso não ajuda Espanha e também não ajuda a Itália, logo, também não ajuda Portugal. Portanto, não é uma posição inteligente.
Portugal deve sair do euro?
Não defendo que Portugal deve abandonar o euro, o que defendo é que deve considerar muito bem essa hipótese. O governo português tem de decidir se o país deve falir dentro do euro ou fora do euro.
O que aconteceria se Portugal deixasse o euro?
Penso que o melhor cenário seria aquele em que já existe um plano alternativo. Caso contrário, significa que teríamos de alterar tratados e, basicamente, não abandonar agora, mas daqui a cinco anos. Não existe esse tempo.
E voltaríamos ao escudo. Como seria feita a paridade da moeda?
Seria um para um. Provavelmente chamar-lhe-iam o euro português, mas podem chamar-lhe o que quiserem. Claro que o valor da nova moeda iria por aí abaixo, mas até poderiam manter o euro para algumas coisas... Iriam precisar de uma estratégia para a dívida, mas depois teriam um banco central que poderia emitir tantos escudos quantos quisesse.
A Grécia vai sair do euro, deve sair do euro?
Se a Grécia sair da zona euro, que é o que acho que vai acabar por acontecer, a pressão será mais forte sobre Portugal. Sem um certo grau de mutualização de dívida, não vejo como é que Portugal pode alguma vez prosperar na zona euro. Infelizmente, a melhor opção para os gregos não está disponível. Devia ser um acordo para entrar em incumprimento, dentro da zona euro, de forma a reduzir a dívida para um nível realista - como 80% do PIB ou ainda menos. Se assim não for, é do melhor interesse para a Grécia abandonar o euro.
Há pouco falou na Irlanda, que voltou a colapsar em 2008. Também teve de adoptar medidas de austeridade duríssimas e o desemprego, que quase não existia, chegou aos 15%. A grande diferença em relação a Portugal é que o potencial irlandês de competitividade manteve-se. A sua economia cresce há dois anos e o país consegue emitir dívida a dez anos a uma taxa que ronda os 4%. As taxas de juro que Portugal está a pagar são justas?
As taxas de juro nunca são uma questão de justiça. Podem estar demasiado altas para o crescimento, mas?
Se estão demasiado altas para o que podemos pagar, acabaremos por entrar em incumprimento...
Exactamente, e esse é o problema da União Monetária, no qual ninguém pensou quando ela se fez. Não existem instrumentos de qualidade para resolver alguns problemas que vão surgindo. Penso que o programa das Transacções Monetárias Definitivas [TMD] é destinado apenas a países que não têm um programa de ajustamento, ou seja, também não é para Portugal. De toda a maneira, sou céptico em relação aos efeitos do programa depois de estar um ano em vigor. Na verdade, foi desenhado para Itália e para Espanha e não vejo mais nenhum país a querer aderir por razões políticas. Como programa-fantasma que é, penso que não vai sobreviver indefinidamente.
O euro vai acabar?
Não posso excluir essa possibilidade, mas não é o meu principal cenário. Claro que as pessoas não vão aguentar esta depressão se ela durar 20 anos, se ninguém resolver o problema. A dada altura as pessoas vão estar cansadas e vão concluir que, se isto não está bem, não pode continuar.
A União Europeia está condenada?
Condenada significa inevitável e não penso que isso seja uma inevitabilidade. Mas pode muito bem não acabar bem, isso é verdade. Há cenários que sugerem que as coisas não foram bem conseguidas, ninguém quer fazer diagnósticos, os interesses divergem, ninguém lidera, ninguém assume.
A chanceler Merkel é a cola que mantém a Europa unida ou aquilo que a divide?
Depende daquilo que queremos. Se queremos que a Alemanha seja líder, ela pode levar-nos numa direcção que não é aquela para onde queremos caminhar. Mas liderança não significa que nos dêem tudo o que queremos - até as eurobonds, que eu defendo. Eu discordo da sua política, mas acredito que ela é uma primeira-ministra competente e que é uma líder forte. Mas é sobretudo uma gestora, não é uma mulher de ideias políticas. Ela é muito mais pragmática do que se possa pensar, sobretudo no campo económico, até mais do que alguns colegas alemães. Merkel não lidera a opinião conservadora, é uma pessoa muito mais prática, e tem os seus limites.
O Banco Central Europeu diz que, neste momento, não vê risco em algum país da zona euro entrar em deflação. Concorda?
A deflação também não é o meu cenário principal, embora exista um risco não trivial de a economia poder entrar numa espiral deflacionista se estiver exposta a outro choque - por exemplo, um choque do género do provocado pelo Lehman Brothers.
Qual é o seu principal cenário?
Penso que a inflação ficará de forma persistente abaixo da meta para a inflação - que é um género de deflação, quando se define a estabilidade de preços em 2% [a fasquia oficial do BCE].
Acredita que a união bancária esteja a funcionar em 2014?
Algo com esse nome, sim, mas não uma união bancária a sério. Sem uma rede de segurança orçamental comum e um sistema comum de garantia de depósitos, não podemos falar em união bancária.
Na sua opinião, qual será o próximo país a capitular?
É muito difícil de prever. Pode até ser apenas uma questão emocional? No entanto, se o euro falhar, não será por causa da Grécia ou de Portugal, será por causa da Itália. A Itália será o problema que se segue.
Haverá dinheiro para ajudar a Itália e, talvez, outros países?
A Alemanha não poderia fazê-lo, mas a Europa pode. De qualquer forma, o resgate de Itália seria muito mais complicado, desde logo por uma questão de escala e, depois, pelo muito provável efeito de contágio. E também não devem subestimar o potencial de um fracasso de Portugal. Se Portugal sair da zona euro, isso levantará imediatamente questões graves em Itália e Espanha.
Na tal lógica de aliança, o que pensa que aconteceria se os três países, Portugal, Espanha e Itália, anunciassem a saída do euro?
Seria uma posição muito forte, acho que os restantes países iriam tentar impedir-vos. Os governos do sul da Europa subestimam o seu poder negocial. Provavelmente, os restantes países quereriam proteger os seus investimentos nesta zona e iriam ficar zangados. Isso, possivelmente, iria provocar uma mudança nas negociações. Mas os três teriam de saber exactamente o que querem. O governo português teria de decidir se o país deve falir dentro da zona euro ou fora da zona euro. Não poderiam fazer bluff, teriam de ser sérios e estar determinados nas suas convicções. Mas, volto a dizer, não sou a favor de que saiam do euro, o que digo é que, ao excluírem essa hipótese apenas por uma questão de princípio, estão a enfraquecer a vossa posição, estão a mostrar o jogo todo.
A Alemanha está a tomar as decisões certas?
Não, a Alemanha está a fazer tudo mal. O problema é que a Alemanha é uma grande economia aberta que se comporta como uma pequena economia. É uma economia feita para ter excedentes. E a própria zona euro, que é muito maior, comporta-se como a Alemanha e não devia. Agora todos têm excedentes. Essa estratégia terá um impacte no resto do mundo e não acredito que esta seja uma forma sustentada de resolver a situação, dependendo de os Estados Unidos aceitarem ter grandes défices. Ao transformar-se numa Alemanha, a zona euro é um factor seriamente desestabilizador para todo o mundo. E devia gerar receita não por ser barata, o que não significa que não possa reduzir salários num período de austeridade.
O resultado das eleições gerais na Alemanha pode mudar alguma coisa de essencial na forma como a União Europeia está a ser conduzida?
Penso que sim. Se a coligação actual (CDU/FDP) ganhar, o SPD será anti-governo na questão dos resgates aos países do euro. Como o governo não tem maioria na câmara alta do parlamento, a margem de manobra política é reduzida. Se as eleições resultarem numa grande coligação, não vejo mudanças para melhor ou pior - excepto o facto de as políticas se tornarem um pouco mais previsíveis."
Etiquetas:fotografias
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